segunda-feira, 14 de março de 2016

497 - Reflexões sobre o sistema educativo Finlandês III



Na sequência das minhas publicações anteriores (ver etiquetas:Joensuu, Finlândia, projeto MAIS ou sistema educativo Finlandês), continuo agora o meu relato sobre a minha dupla experiência em Joensuu, na Finlândia a segunda das quais no âmbito do projeto Erasmus+ KA1 MAIS elaborado pelo AE Carlos Gargaté onde leciono na qual fui frequentar um curso sobre gestão escolar.  


I - reflexões gerais - 3ª parte


15 - Inspeção Geral de ensino 

Esta foi abolida desde o início dos anos 90 do século passado. Quebra-se assim a lógica da necessidade absoluta de Fiscais/papões externos que assegurem a qualidade de ensino, como se o que contasse para a qualidade não fosse o trabalho quotidiano de quem trabalha nas escolas e de quem avalia esse mesmo trabalho no contexto em que este foi realizado.  
Isto não quer dizer que não haja leis nacionais, nem grandes lnhas de trabalho e de orientação, mas cabe às escolas autoavaliarem-se e encontrarem processos de aferição do seu trabalho. 
(permita-se a nota pessoal de que nada tenho contra as inspeções e inspetores, creio é que algumas vezes as orientações  que deixam nas escolas e que se tornam normativas, são descontextualizadas e pouco ajudam ao trabalho e progresso da unidade orgânica) 


16 - Curiosidades obtidas a partir da leitura do documento: "Key figures on early childhood and basic educatiom in Finland"




  • Metade das escolas têm cerca de 100 alunos donde aquela ideia dos enormes centros escolares que se construíram em Portugal pode não significar, em absoluto, melhoria das aprendizagens, embora não negue que uma esdola com 4 ou 5 alunos não faz sentido ;  
  • 41% dos alunos escolhe um curso vocacional no 10º ano e não a continuação dos estudos de nível secundário e superior - pág 26 ;
  • 7% dos alunos tem special support e 13% tem special support e intensified support; 22% dos alunos do Ensino Básico teve special support em part time (Pág 41) isto significa que os alunos têm apoios de modo a recuperar atrasos e problemas de aprendizagem evitando retenções;
  • Só 0,4% (2000) alunos retêm por ano (Pag 44) - Isto significa que há todo um conjunto de apoios de modo a que os alunos acompanhem os grupos e a retenção não é considerada a saída para quem não trabalha. A retenção é considerada mesmo uma medida extraordinária e não uma das soluções para os alunos;
  • Os alunos podem fazer escolher fazer um ano de um 10º ano especial para fortalecer as suas aprendizagens ou apoiar a sua tomada de decisão no relativo à escola de uma orientação;
  • Na Finlândia há menos horas de aulas que a média europeia (Cf. pag. 15) 
  • apenas 8% dos alunos não poderá ir para a universidade (Cf. pag. 29)