segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

477 - Oficina de escrita criativa

Há uns dias atrás tive o prazer de participar numa oficina de escrita criativa. A partir de um poema de Olinda Beja (de Cabo Verde) produzi o texto abaixo. Não é que esteja grande coisa, mas dado o tempo que se teve para o exercício é o texto possível.

No entanto interessa-me neste post valorizar a ideia que há coisas tão simples de conceber e de aplicar que não percebo qual  o motivo para as bibliotecas não investirem nelas...

Eis o poema que serviu de mote:

Quem somos?
O mar chama por nós, somos ilhéus!
Trazemos nas mãos sal e espuma
cantamos nas canoas
Dançamos na bruma.

(...)

Somos a mestiçagem de um deus que quis mostrar
Ao universo a nossa cor tisnada
Resistimos à voragem do tempo
Aos apelos do nada.

(Olinda Beja, 2009)

Segue o meu texto feito a partir do mote dado

Quem somos?
Definitivamente ilhéus, mesmo que vivamos na grande cidade.
Ilhéus, únicos, irrepetíveis...
Onde nos situamos on meio da multidão?

No entanto...
A nossa identidade empurra-nos para o outro, para o mar
Somos filhos do sal e da espuma
Somos feitos da memória de muitos outros
das canoas que em nós vieram aportar.

 Quen os fez dançar?
Quem nos fez cantar?
O mestiço que há em nós
a herança de tantos outors, tantos sangues,
tantos tu


Quem somos?
Uma memória de um passado,
uma projeção para o futuro,
uma canoa que chega e que parte
uma canção feita para o outro.

Fragéis como a espuma,
um sopro.

...
Resistiremos!
Ilheus e citadinos.
Resistiremos
Pertencemos-nos
Quem somos?

João P.
Fev 2015