terça-feira, 2 de abril de 2013

329 - Visita de estudo à Finlândia: The teaching profession, teacher education and basic education VI

E os alunos finlandeses, como são?

Daquilo que tive oportunidade de observar, estes pareceram-me muito decididos e auto-confiantes.
Sei bem que esta é uma generalização, que não vi uma grande quantidade de escolas e que, numa sala de aula de uma escola secundária, tive oportunidade de ver comportamentos típicos de jovens de todos os países: uma enviava um sms, outro estava com o seu Ipad fazendo tudo menos tirando apontamentos e outra ou outra estava com o ar de tédio ouvindo um professor de história a falar do ultraliberalismo...
No entanto... a larga maioria delas e deles tiravam apontamentos e estavam compenetrados na aula. Recordo-me bem de uma aluno que até sublinhava os apontamentos e tinha uma régua para melhor produzir os seus textos.

Decididamente a imagem que me fica dos alunos de todos os níveis de ensino com os quais tive oportunidade de me cruzar era de que estes davam a impressão de se sentirem felizes na escola e de esta fazer sentido para eles. Mais tarde vim a ter a confirmação que são elas (à semelhança do que se passa em outros países) que mais valorizam a escola, pois os rapazes acham que podem desde logo escolher um curso profissional que têm o seu futuro garantido.

Na Finlândia as raparigas têm muito melhores notas que os rapazes (sobretudo a partir da pré-adolescência)  e esta é até uma possibilidade de ser a chave do sucesso PISA...

Pareceu-me existir um sentido de responsabilidade pessoal, fruto da confiança que os professores depositam nos alunos, e que os alunos têm uma motivação intrínseca na aprendizagem. Esta impressão baseia-se em duas visitas a escolas em que foram os alunos que nos guiaram, sem intermediação de nenhum adulto.

(Nota: Tenho termo de comparação e já tive oportunidade de observar salas de aula em muitos países tal como Noruega, Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Irlanda, República Checa, Lituânia, Espanha, Portugal... Nunca saí desses países com esta noção acerca dos alunos).
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Outro aspecto curioso que guardo deste visita é o facto de não me recordar ter visto alunos obesos (e estive atento ao facto)!
Não creio que isto seja devido ao facto de em cada escola o almoço ter sempre salada a acompanhar e haver leite distribuído gratuitamente (Tal como na Suécia). Lá que dá que pensar...

Nota 2 - Aqui cada aluno deve levantar o seu tabuleiro e colocar em tabuleiros a louça que usou: Copos para um lado, talheres para outro, pratos para outro, resíduos orgânicos separados dos inorgânicos...)  

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Então mas é tudo um mar de rosas na Finlândia?

Não! já acima descrevi alguns aspectos mais problemáticos e os organizadores não ocultaram alguns problemas que percepcionam, a saber:
- Desde 2008 que se regista um aumento dos problemas comportamentais nas escolas finlandesas.
- Há mesmo um desfasamento nos resultados académicos entre rapazes e raparigas e não há indicações que este desfasamento tenda a diminuir.
- Há justificadas preocupações acerca do bem-estar de algumas jovens no ensino secundário que parecem em risco de depressão e falta de auto-estima (no fim de contas, num grupo só há um número um...)