quarta-feira, 3 de abril de 2013

330 - Eis alguém que sempre esteve muito à frente!

A oportunidade de dinamizar uma sessão de formação para professores bibliotecários em Évora obrigou-me a rever a minha dissertação de mestrado, pois o assunto eram as redes sociais e as ferramentas Web 2.0.

Neste contexto, nunca consigo deixar de me surpreender com o extraordinário texto de José António Calixto (que obviamente usei na minha dissertação) que mostrou que o seu pensamento estava muito para além do tempo em que se vivia quando escreveu o seguinte:


"A sala de aula passa a ser apenas um entre muitos outros locais, na escola e fora dela, onde as experiências de aprendizagem têm lugar, […] A relativização do conhecimento científico introduz a incerteza no campo da educação e sublinha o valor da pesquisa individual e do desenvolvimento das capacidades de manuseamento da informação. Aprender é cada vez menos memorizar conhecimentos e cada vez mais preparar-se para os saber encontrar, avaliar e utilizar. A capacidade de atualização passa a ser uma ferramenta essencial ao indivíduo."

Terá este texto sido escrito quando? 2012? 2011? 2009?... 

Não! o texto é de 1996!!! nos adventos da generalização da Internet, com o Windows 1995. O autor referia-se ainda à superabundância da informação a partir da chamada sociedade da informação.

Se, já na altura o texto era fundamental, o que poderíamos dizer agora dele? e como é que ainda há professores e bibliotecários que pensam e agem como se nada tivesse mudado!

Haja quem saiba colocar-se ao ritmo do tempo em que se vive e não viva alicerçado a conceções perfeitamente desatualizadas..

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Calixto, J. A. (1996). A Biblioteca Escolar e a sociedade de informação. Lisboa: Caminho.