segunda-feira, 8 de abril de 2013

331 - Visita de estudo à Finlândia: The teaching profession, teacher education and basic education VII

Ambientes de Aprendizagem ou o que se espera dos alunos finlandeses (ou vice versa) 

A atmosfera nas escolas que tive oportunidade de visitar pareceram-me sempre muito calma e saudável, parecendo-me reinar uma política de confiança entre professores e alunos.

(Pausa para referir que não me pareceu existir na Finlândia uma grande "questão" étnica ou de minorias provenientes de outras culturas para além da russa, o que permitirá que o meu estimado leitor possa desde já relativizar alguns dos "absolutos").

Não se notaram grandes correrias no espaço escola e nem os intervalos eram espaços de grande balbúrdia para além da alegria natural das crianças em irem "desopilar" após um período de aulas... De facto, os alunos dão a impressão de se sentirem felizes na escola. Provavelmente não serão todos, mas a grande maioria será.

Os alunos são encorajados a serem independentes dentro e fora da sala de aula e esta é a base de uma boa relação pedagógica. De um modo geral reina o respeito, a confiança e o sentido de responsabilidade. Todos cooperam em nome destes princípios. Neste contexto importa referir que nenhuma criança é deixada para trás (não há reprovações nos primeiros anos e ciclos de ensino) e todas as crianças devem ser aceites com os seus talentos individuais, talentos e possibilidades de modo a elevá-los e desenvolvê-los.

Ficou-me na memória uma conversa que tive com um estagiário sobre o sistema educativo Finlandês. Dizia-me ele que nas escolas finlandesas não se ouve uma frase do tipo: "Don´t do that!" e quase gritou a imitá-la. Confesso que me pareceu verdadeira esta consideração pelo facto de, nas minhas observações, não ter visto nenhum professor com ar de "stressado"...

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Penso que contribui para esta atmosfera a alta qualidade dos ambientes de aprendizagem que vi: Espaços amplos, equipamento diversificado e moderno, espaços desenhados e pensados para serem multifuncionais.




(A este propósito não posso deixar de referir a excelente apresentação que o diretor de uma escola, o Dr. Heikki Happonen, nos fez sobre a conceção de edifícios escolares mostrando que a forma como estes são concebidos revelam aquilo que o estado espara delas. Fábricas, prisões ou ambientes de aprendizagem) .

Os edifícios escolares aparentam ser iluminados, abertos, com grandes áreas inundadas de luz.Apetece estar nestes espaços e não me refiro apenas a alunos. Veja-se o caso de salas de aula que permitem trabalhos de grupo, trabalhos de tutoria, espaços de relax para um ou outra situação complicada, exposição por parte do professor, arrumar rápida e facilmente a sala da forma que se deseje. Veja-se a biblioteca concebida como ambiente de aprendizagem e não como "espaço dos livros" e a possibilidade que esta tem de ser reorganizada (veja-se o caso das rodas debaixo das estantes)
O investimento nos edifícios escolares (pensado na lógica do ensino/aprendizagem) reflete a importância que o estado coloca na conceção da escola como comunidade de aprendizagem. Um exemplo paradigmático desta conceção é a escola "primária" de Heinavaara (comunidade rural) em que as paredes da sala de aula para ocorredores são substituídas por vidros, o que implica que fora da sala todos possam ver o qwue se passa dentro dela.